Reis
ingleses só falavam francês ?!
Houve
um tempo em que nem mesmo os Reis da Inglaterra dominavam a língua inglesa.
Grandes nomes da Realeza britânica, como Henrique I, Henrique II e Ricardo
Coração de Leão, só sabiam se comunicar em francês. No dia a dia da corte, no
trato com os nobres, nas reuniões de estratégias de guerra, o idioma francês
era quase que regra. E, falar francês era sinal de superioridade, além de
sinalizar que a pessoa era parte da nobreza inglesa.
Isso
começou em 1066, quando o Duque da Normandia, Guilherme, o Conquistador, venceu
a Batalha de Hastings contra o exército anglo-saxão. Começava o domínio da
região do norte da França sobre a Inglaterra, assim como a rivalidade que
existe até hoje entre ingleses e franceses.
Por
300 anos o francês foi a língua da corte e da aristocracia britânica. O inglês,
hoje a língua mais falado no mundo, naquela época foi relegado às ruas e só se
tornou língua oficial em 1362, já no fim da Idade Média.
A reivindicação inglesa ao trono
da França tem uma história longa e complexa, que se estendeu entre a
década de 1340 e a de 1800. De 1340 a 1801, com
apenas breves intervalos de 1360 a 1369 e 1420 a 1422,
os reis e rainhas da Inglaterra, e depois, através dos Atos da União,
em 1707, os reis e rainhas da Grã-Bretanha, ostentaram o título de Rei ou Rainha
da França.
O Reino
da Inglaterra era governado por descendentes franco-normandos e pela
aristocracia que falava franco-normando quando esse título foi aprovado em 1340
pelo rei Eduardo III, que reivindicou o trono de França após a morte do
seu tio Carlos IV de França, precipitando assim a Guerra dos Cem Anos.
No momento da morte de Carlos IV em 1328, Eduardo era o seu parente mais
próximo do sexo masculino por linhagem da sua mãe, Isabel de França, filha
de Filipe IV e Joana I de Navarra. Desde a eleição de Hugo
Capeto em 987, a coroa francesa sempre foi passada com base na linhagem
masculina (de pai para filho até 1316). Não havia nenhum precedente para alguém
suceder ao trono francês baseado na sua ancestralidade materna, nem era
necessário. Não houve falta de filhos nem irmãos do sexo masculino para a
sucessão ao trono durante mais de três séculos, desde o início do governo
da dinastia capetiana, até o início do século XIV, quando novas regras
sobre a sucessão feminina tiveram finalmente de ser introduzidas. Com a morte
de Luís X, em 1316, a sucessão seguiu imediatamente para o seu filho
póstumo João I (que começou a reinar após o seu nascimento, tendo
falecido cinco dias depois); desta forma tinha de se decidir se a sua jovem
filha, Joana, ou se o seu irmão Filipe iria suceder ao trono.
Diz-se que esta decisão foi feita com base na Lei Sálica do século V,
mas alguns investigadores afirmam que a Lei Sálica só foi redescoberta mais
tarde e utilizada para encobrir a decisão de 1316, dando-lhe uma aura adicional
de autenticidade.
No
momento da morte de Carlos em 1328, houve novamente uma disputa sobre a
sucessão. Embora tivesse vindo a ser aceito que uma mulher não poderia possuir
o trono francês, de seu próprio direito, Eduardo III, o sobrinho do falecido
rei, baseou a sua pretensão na teoria de que a mulher pode transmitir o direito
de herança para o seu filho. Esta alegação foi rejeitada, no entanto, e o trono
foi dado ao herdeiro mais próximo de sexo masculino, Filipe, conde de
Valois, primo do falecido rei. Na época, Eduardo aceitou esta decisão, e
prestou homenagem a Filipe VI pelo seu Ducado de Guyenne.
Disputas nos próximos 12 anos sobre a natureza precisa das obrigações feudais
de Eduardo III para com Filipe sobre Guyenne levou à guerra aberta em 1337, e
para o relançamento das pretensões de Eduardo ao trono francês em 1340, quando
ele assumiu o título de Rei de França.
Eduardo
continuou a usar esse título até o Tratado de Brétigny, em 8 de
maio de 1360, quando abandonou as suas reivindicações em troca de
terras de área substancial na França. Após o reatamento das hostilidades entre
ingleses e franceses, em 1369, Eduardo voltou a fazer as suas reivindicações ao
trono e ao título de Rei da França. Os seus sucessores também usaram o título
até ao Tratado de Troyes, em 21 de maio de 1420, em que o
rei inglês reconhecia Carlos VI como rei da França, e em
contrapartida o seu novo genro, o rei Henrique V de Inglaterra seria
o seu herdeiro (deserdando assim o filho de Carlos VI, o Delfim Carlos).
Henrique V, em seguida, aprovou o título de Herdeiro de França em
seu lugar.
Henrique
V e Carlos VI morreram com a diferença de dois meses um do outro e, em 1422, o
filho de Henrique V (neto de Carlos VI) Henrique VI tornou-se rei de
França. Ele foi o único rei inglês que foi, de fato, Rei de França, não
usando assim o título como um mero título de pretensão. No entanto, em 1429, Carlos
VII, com o apoio de Joana d'Arc, tinha sido coroado em Reims e começou a expulsar
os ingleses através do norte da França. Em 1435, o fim da guerra civil francesa
entre os Burgúndianos e os Armagnacs permitiu a Carlos voltar a Paris no ano
seguinte, e em 1453 os ingleses foram expulsos dos seus últimos redutos na
Normandia e em Guyenne. O único território francês deixado aos ingleses
foi Calais, que foi mantido até 1558.
Fontes: wikipedia, blog licoesdehistoria, site ohistoriante.com.br
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